TAEG vs TAN
TAEG vs TAN: O Guia Definitivo para Decisões Financeiras Inteligentes
No momento de contratar um crédito habitação, um empréstimo pessoal ou até ao analisar o extrato do cartão de crédito, somos confrontados com uma “sopa de letras” financeira. Entre todas as siglas, duas destacam-se e geram a maior confusão: TAN e TAEG.
Saber distinguir estas duas taxas não é apenas uma questão de semântica bancária; é a diferença entre fazer um negócio rentável ou perder centenas (por vezes milhares) de euros ao longo do contrato. Mas porque é que existem duas taxas? Qual delas reflete o verdadeiro custo do seu dinheiro? E, mais importante, para qual deve olhar antes de assinar a linha pontilhada?
Este artigo explora a anatomia destas taxas, desmistifica o funcionamento da banca e entrega-lhe as ferramentas para comparar propostas com a precisão de um analista financeiro.
O Básico: Descodificar as Siglas
Para compreender a diferença, temos de despir os termos técnicos e olhar para o que eles representam na prática do seu orçamento familiar.
O que é a TAN (Taxa Anual Nominal)?
A TAN é, em termos simples, o “preço de etiqueta” do dinheiro. Representa os juros que o banco cobra pelo capital que lhe empresta, numa base anual.
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A limitação: A TAN é uma taxa bruta. Ela não inclui impostos, comissões ou outros encargos obrigatórios.
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A aplicação: Nos empréstimos, a TAN é utilizada para calcular o valor dos juros de cada prestação mensal. Contudo, ela é uma visão incompleta da realidade.
Nota Importante: A TAN pode ser fixa ou variável (indexada à Euribor). Se for variável, a TAN flutuará ao longo do tempo, impactando diretamente a prestação da casa.
O que é a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global)?
Se a TAN é o preço de etiqueta, a TAEG é o valor final na fatura. Esta taxa foi criada para proteger o consumidor, obrigando as instituições financeiras a revelarem o custo total do crédito.
A TAEG inclui tudo:
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Os juros (a TAN);
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Comissões de dossiê e processamento;
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Seguros obrigatórios (vida e multirriscos);
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Imposto de Selo;
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Outros encargos associados à manutenção da conta.
Em resumo: A TAEG é a percentagem real do montante emprestado que terá de pagar ao banco por ano, somando todas as despesas.
A “Armadilha” do Marketing Bancário
Por que é que esta distinção é vital? Porque, historicamente, as instituições financeiras tendem a destacar a TAN em campanhas de marketing.
Imagine dois bancos a oferecerem um crédito pessoal de 10.000€:
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Banco A: Anuncia uma TAN de 5%.
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Banco B: Anuncia uma TAN de 7%.
À primeira vista, o Banco A parece a escolha óbvia. No entanto, o Banco A cobra comissões de abertura elevadas e exige um seguro caro. O Banco B, apesar da taxa de juro mais alta, não tem comissões iniciais e o seguro é barato.
Ao calcularmos a TAEG:
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Banco A: TAEG de 9,5% (devido aos custos extra).
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Banco B: TAEG de 8,2%.
Conclusão inesperada: O banco com a taxa de juro mais alta (TAN) é, na verdade, a opção mais barata para o consumidor final. Quem olha apenas para a TAN corre o risco de cair numa ilusão financeira.
TAEG vs TAN: As 3 Diferenças Fundamentais
Para facilitar a sua análise, eis as distinções críticas que deve memorizar:
1. Abrangência dos Custos
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TAN: Reflete apenas o custo do juro. É o lucro direto do banco sobre o empréstimo.
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TAEG: Reflete o custo do juro mais os serviços anexos. É o custo efetivo para a sua carteira.
2. Base de Comparação
A TAEG é o indicador universal de comparação. Por lei, todas as instituições em Portugal devem apresentar a TAEG de forma clara. Se estiver a comparar propostas de crédito com o mesmo montante e prazo, a proposta com a TAEG mais baixa é sempre a mais barata, independentemente da TAN.
3. Periodicidade do Pagamento
Embora ambas sejam taxas “Anuais”, a forma como afetam o bolso varia. A TAN é usada mensalmente para dividir os juros pelas 12 prestações (ou semestralmente). A TAEG é um indicador teórico anual para efeitos de comparação e transparência.
O Impacto nos Diferentes Tipos de Crédito
A importância destas taxas varia consoante o produto financeiro que está a contratar.
No Crédito Habitação
Aqui, o impacto é monumental devido aos prazos longos (30 ou 40 anos). Uma diferença de 0,5% na TAEG pode significar uma poupança de milhares de euros no final do contrato.
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Dica de Especialista: Muitas vezes, os bancos oferecem uma redução na TAN (o chamado spread bonificado) se contratar outros produtos, como cartões de crédito ou alarmes. Isto pode baixar a TAN, mas as comissões desses produtos podem fazer subir a TAEG. Olhe sempre para a TAEG final para saber se a “bonificação” compensa.
No Crédito Pessoal e Automóvel
Nestes créditos, os prazos são mais curtos. Aqui, as comissões de abertura (que entram na TAEG, mas não na TAN) têm um peso enorme. Num crédito de 2 anos, uma comissão de abertura de 200€ tem um impacto muito maior na TAEG do que num crédito de 30 anos.
Nas Poupanças (A TANB e a TANL)
Quando o cenário se inverte e é você a emprestar dinheiro ao banco (Depósitos a Prazo), a TAEG deixa de existir. Passamos a falar de TANB (Taxa Anual Nominal Bruta) e TANL (Taxa Anual Nominal Líquida).
Neste caso, a TANL é o valor que realmente recebe após a retenção na fonte (impostos) de 28%.
Considerações Finais: Como Decidir?
Numa economia onde a inflação e as taxas Euribor oscilam, a literacia financeira é a sua melhor defesa.
Ao analisar uma Ficha de Informação Normalizada (FINE) — o documento oficial da proposta de crédito — a sua atenção deve recair imediatamente sobre a TAEG. É este o número que dita a “saúde” do empréstimo.
Utilize a TAN para perceber quanto está a pagar de juros puros ao banco, mas utilize a TAEG para decidir qual o banco que merece a sua confiança e o seu dinheiro. Lembre-se: no mundo financeiro, o que parece mais barato na montra (TAN) pode sair muito mais caro na caixa de pagamento (TAEG).











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